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Módulo 4 – Consumo planejado e consciente

4.1 Planejando o consumo

shutterstock_69446710-2Estamos em constante conflito entre o que desejamos adquirir e o que nossos Recursos financeiros permitem. Tal conflito exige que planejemos nosso consumo. Os desejos são ilimitados, enquanto os recursos são limitados. Temos o conflito entre consumir hoje ou poupar e postergar o consumo. Muitas vezes, queremos consumir mais do que nossa renda atual nos permite. Muitos não conseguem se controlar e acabam se endividando de maneira irresponsável. Consumir não é errado; pelo contrário, o consumo atende nossas necessidades e nossos desejos. O consumo possibilita que alcancemos sonhos, como realizar a viagem tão desejada. Para evitar que o dilema entre o querer e o poder nos coloque em uma enrascada financeira, devemos planejar o consumo.

a. O consumo planejado

Consumir de maneira planejada e consciente não significa restringir gastos e deixar de comprar.

Não se trata de fazer menos de tudo. O que estamos falando aqui é fazer mais daquilo que é mais relevante para você e menos daquilo que é menos relevante para sua realidade, seus anseios e de sua família consumir mais e melhor. Consumir “mais” O planejamento financeiro possibilita consumir mais e melhor. Consumir “mais” por meio da potencialização do dinheiro e “melhor” via eliminação de desperdícios.

Quando você paga uma conta em dia, evitando a cobrança de uma multa por atraso, por exemplo, está potencializando seu dinheiro.

Quando você desliga as luzes de ambientes vazios, fecha as torneiras enquanto escova os dentes ou se planeja para evitar que produtos tenham a validade vencida, você consome melhor.

Ou, ainda, quando você poupa por alguns meses e consegue comprar sua televisão nova à vista, além de economizar os juros que seriam pagos em um financiamento, você pode conseguir um desconto por pagar à vista e, com isso, ter acesso a um aparelho melhor.

b. Vantagens de planejar o consumo

Em um ambiente de inflação controlada, é mais fácil se planejar. Por esse motivo, o trabalho do BCB para manter a inflação sob controle é muito importante para a gestão das suas finanças e das finanças de todas as famílias brasileiras.

As famílias que planejam adequadamente o consumo conseguem obter uma série de vantagens.

Conheça algumas delas.

• Controlar o endividamento pessoal: o consumidor consciente de seus gastos (e de suas receitas) pode se controlar melhor. Mesmo que ele passe por dificuldades, pode sair delas mais rapidamente do que outro que não planeja seu consumo, evitando, assim, que um pequeno problema se transforme em uma grande bola de neve.

• Auxiliar na preservação e no aumento do patrimônio: o consumidor que consome
planejadamente tem mais condições de destinar parte de sua renda para a poupança. Afinal, o planejamento auxilia a manter a disciplina.

• Eliminar gastos desnecessários: “o leite acabou” ou “fiquei sem café” – quem vivencia esse tipo de situação corre para o lugar mais próximo e acaba comprando produtos mais caros. Quem planeja incorre em menos gastos desnecessários e compra mais barato.

• Utilizar os juros a seu favor: com planejamento, você otimiza o uso do crédito, reduzindo o pagamento de juros, evita o pagamento de multas por falta de organização e tem maior capacidade de poupar. Quem poupa pode receber rendimentos e se beneficiar dos juros trabalhando a seu favor.

• Maximizar os recursos disponíveis: por meio de atitudes como pesquisar preços, negociar descontos ou aproveitar situações como a sazonalidade (exemplo: comprando frutas da estação, você aproveita produtos de melhor qualidade e menor preço) e a baixa temporada, quando aumenta o poder de barganha do consumidor.

Consumir mais não significa necessariamente gastar mais. Consumo planejado é fazer mais com a mesma quantidade de recursos.

c. Dificuldades para planejar

Temos dificuldade para planejar por diversos motivos. Busca do prazer imediato: na busca da satisfação de um desejo imediato, muitas vezes pagamos um preço maior por isso.

Pouca formação financeira: devido ao desconhecimento sobre conceitos e produtos financeiros, não usamos adequadamente as possibilidades que o mercado financeiro oferece para um melhor planejamento em direção aos nossos sonhos.

Memória inflacionária: por muitos anos, o brasileiro viveu em um ambiente de hiperinflação, que, no Brasil, durou até 1994, com a introdução do Plano Real. Apesar de já vivermos por quase duas décadas em um ambiente de inflação sob controle, a memória inflacionária ainda influencia a maneira como planejamos nosso consumo.

No ambiente de hiperinflação, fazia sentido “gastar imediatamente” o dinheiro recebido, caso contrário o valor do dinheiro ia sendo corroído com o tempo. Por isso, muita gente corria para o supermercado assim que recebia o salário. As famílias faziam estoques. Era difícil se lembrar dos preços dos produtos, pois eles mudavam a toda hora. O consumidor ficava perdido e sem referência para saber se determinado produto estava caro ou barato. Era complicado se planejar nesse ambiente. Quem viveu essa época sabe bem disso. Agora, os tempos são outros.

A mudança de hábito permite consumir mais e melhor, mas, para isso, é necessário ter disciplina.

4.2 Recomendações para o consumo

Os vendedores em geral recebem treinamento para se tornarem vendedores profissionais.
Lojistas, órgãos de classe, universidades, entre outros, fornecem uma enorme variedade de cursos com o objetivo de impulsionar a força das vendas.

E os consumidores? Recebem algum tipo de treinamento para se tornarem consumidores conscientes de suas escolhas, ou, em outras palavras, “consumidores profissionais”? Normalmente não. Você já tinha pensado nisso? Não seria bom se existissem também cursos para consumidores em vez de apenas cursos para vendedores?

Estratégias para conquistar o consumidor

Para nos tornarmos consumidores preparados, precisamos conhecer algumas das técnicas de vendas mais utilizadas.

• Tamanho das letras: diferença de tamanho das letras no anúncio, para dar destaque ao que interessa ao lojista (exemplo: o valor da parcela em vez do custo total do produto).

• Pequenas unidades de tempo: divisão do valor a ser pago em unidades menores de tempo. Em relação a parcelamentos, alguns vendedores informam o custo por dia, dando a falsa impressão de que o produto custa bem menos do que na realidade. Você já deve ter visto algo como “custa apenas R$3,99 por dia”. Faça as contas: R$3,99 por dia é a mesma coisa que R$119,70 por mês.

• Apelo emocional: frases com forte apelo emocional dão uma sensação de facilidade e urgência para que o consumidor não “perca” a “oportunidade” oferecida. Você já deve ter visto frases do tipo “dinheiro fácil e rápido”, “compre hoje e pague só depois do carnaval” etc.

• Preços que terminam com R$0,99: dão a impressão de serem “menores” e têm um impacto psicológico importante para o consumidor.

Técnicas de vendas dos supermercados

Nos supermercados, existem várias características que podem nos influenciar para um consumo não planejado. A começar pelo piso liso e pelo ambiente agradável, que nos mantêm por mais tempo para consumir. Precisamos estar atentos para identificar esses detalhes que afetam nosso comportamento.
Além disso, identificamos outras técnicas.

• Embalagens e placas atraentes.

• Produtos mais caros ou de marcas famosas ao alcance dos olhos e das mãos (das crianças e adultos).

• Inexistência de relógios (para não ter pressa e ficar mais tempo)

• Açougue e padaria ao fundo da loja (para fazer “passear” por todo ambiente).

• Produtos associados (macarrão perto do queijo ralado e do molho de tomate).

• Degustação de produtos.

• Promoção de produtos com data de validade próxima (fique atento).

Você conhece outras técnicas? Que tal anotá-las e compartilhá-las com seus amigos e familiares?

Conhecer as estratégias dos vendedores de produtos ou serviços é um importante passo para se proteger.

4.3 Dicas para o consumidor

Pessoas vendo dicas de consumoAlém de identificar as estratégicas e as técnicas utilizadas pelos vendedores para impulsionar a força das vendas, é importante saber que o consumidor também pode adotar algumas atitudes para assegurar que poderá consumir mais com a mesma quantidade de recursos. É exatamente isso.

Um consumidor que planeja e é disciplinado é capaz de comprar mais e pagar menos e ainda conseguir poupar mais. Vamos, então, conhecer algumas dicas sobre como, você, consumidor, pode se comportar diante do comércio e dos supermercados, atuando de forma mais vantajosa para você mesmo, fazendo mais com menos.

Atitudes que podem ser adotadas pelo consumidor no comércio:

• Pesquisar preços.

• Pechinchar, negociar com afinco.

• Experimentar pagar com dinheiro em espécie em vez de cartão. Às vezes, é possível conseguir um bom desconto.

• Atente para o real preço dos produtos nas vitrines (não apenas para o valor da parcela).

• Transmita certo “desinteresse” ao tratar com vendedores. Conheça opções de produtos e serviços. Você pode conseguir um acordo melhor.

• Pesquise o preço do produto ou serviço, com antecedência, pela internet.

Atitudes que podem ser adotadas pelo consumidor no supermercado

• Fazer uma lista de compras com os preços médios que costuma pagar.

• Ir alimentado. Pesquisas mostram que quem faz compras com o estômago vazio compra mais por impulso.

• Ao levar crianças, combinar previamente com elas o que comprarão (é uma oportunidade para educar financeiramente os filhos).

• Comparar preços.

• Comprar produtos da estação, pois costumam ter preço menor e melhor qualidade.

• Experimentar outras marcas

• Aproveitar as promoções, mas não ser vítima delas.

• Ficar atento para a data de vencimento de produtos perecíveis.

• Acompanhar o registro dos produtos no momento de passá-los pelo caixa.

• Levar folhetos dos concorrentes e exigir o menor preço.

4.4 Consumo consciente

É importante termos a consciência de que nossas decisões de consumo afetam os recursos naturais disponíveis no planeta. Considerando que os recursos naturais são imprescindíveis para a manutenção da vida na Terra, as consequências das decisões de consumo se ampliam, afetando a sobrevivência das presentes e gerações futuras. Não é difícil imaginar o impacto dessas decisões sobre a capacidade do planeta para fornecer alimentos, uma vez que a população humana atingiu sete bilhões.

Consumir tendo em conta as consequências desse consumo, em médio e longo prazo, para as populações do planeta, é usualmente chamado de “consumo consciente”.

O consumo consciente propicia, além das vantagens ambientais, benefícios sociais e econômicos para a sociedade como um todo, e individuais para aquele que consome conscientemente. Desse modo, consumo consciente amplia o conceito de educação financeira, ao incorporar às nossas escolhas de consumo considerações sociais e ambientais, tais como modo de produção, quantidade e qualidade das matérias-primas, tipo e qualidade de mão de obra, produção de resíduos e outros aspectos relevantes para o meio ambiente e para a sociedade.

Enfim, consumir conscientemente pode contribuir para o consumo sustentável nas dimensões ambiental, social e econômica, ou seja, adquirir produtos e serviços ambientalmente corretos, com o mínimo de impacto sobre o meio ambiente, que possam ajudar a construir uma sociedade mais justa e, claro, que sejam economicamente compatíveis com a situação financeira do consumidor.

Ao compararmos produtos e serviços semelhantes ofertados no mercado podemos dar preferência aos produtos elaborados de modo sócio ambientalmente sustentável, por exemplo, consumindo frutas produzidas no local e da safra e, portanto, mais baratas, favorecendo produtos locais, que não consumiram energia para serem conservados e transportados. Ou seja, consumir de forma sustentável e, portanto, consciente, não traz prejuízos à qualidade do consumo.

Também podemos contribuir para a sustentabilidade ao:

• reduzir o consumo desnecessário, evitando desperdícios e a produção excessiva de lixo;

• diminuir o impacto negativo da atividade humana sobre o meio ambiente (extrativismo, agropecuária, urbanização, indústria, serviços, lixo);

• melhorar a qualidade de vida e o bem-estar pessoal e da sociedade, tanto das gerações atuais quanto das futuras;

• usar o dinheiro e o crédito a seu favor e, ao mesmo tempo, em favor da sociedade e do meio ambiente.

Trata-se de buscar o equilíbrio entre ter o que você precisa e ser um consumidor social, ambiental e economicamente sustentável.

Ponha em prática

fiquedeolho• Mude seus hábitos para consumir mais e melhor. Pequenas mudanças no seu comportamento diário podem levar a grandes resultados. Comece hoje mesmo!

• Tenha disciplina e compromisso. Ao controlar os seus impulsos de consumo, o maior beneficiário será você mesmo, além de contribuir para a sustentabilidade do ambiente.

• Planeje suas compras parceladas. Quando você anota suas prestações para os meses futuros, torna-se mais consciente do quanto sua renda já está comprometida. Isso evita compras parceladas em excesso e protege contra problemas de se endividar demasiadamente.

• Reconheça as estratégias de vendas. Ao tomar conhecimento do que o marketing e o comércio fazem, você está mais capaz de resistir às tentações de consumo e das armadilhas que aparecem.

• Adote um estilo de vida saudável, em vez de se guiar apenas por modismos ou status social. Estar consciente do que é importante para suas necessidades ajuda nas decisões de consumo.

• Não amasse ou rasgue as células nem escreva nelas. Quando você conserva as cédulas em bom estado, mais tempo elas irão durar, circulando nas compras e vendas, custando menos para você e para sociedade.

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